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O Independente A máquina de triturar políticos

De volta e com grandes novidades

Decidimos não dizer nada durante este tempo todo para dar tempo para lerem "O Independente - A máquina de triturar políticos". Gostaram? Bom, na verdade estávamos mesmo à espera de uma grande notícia para vos dar e lembrar aqueles que ainda não compraram o livro que está na hora de o fazerem. Bem, na verdade não foi nada disto. Quisemos mesmo dar descanso a toda a gente. Mas eis que surge um grande motivo para voltarmos a estar aqui: finalmente a FNAC partilhou a nossa apresentação do livro. Sei que estão desejosos para ouvir o que o Filipe tem para contar e as piadas secas que esta que vos escreve tentou fazer. Mas imperdível mesmo são as palavras do João Miguel Tavares e do Ricardo Araújo Pereira. Podem ver aqui.

A primeira campanha dele

Agora que Paulo Portas está de abalada e já circula pelas chancelarias desse mundo fora a recolher comendas e medalhas sobre os seus fatos de bom corte, recuperamos uma pequena pérola do velho Independente: a primeira crónica do Paulo-Portas-político, a dar conta das aventuras e desventuras dos seus primeiros dias em campanha eleitoral.

Talvez para o corte com a casa-mãe não ser tão doloroso, na semana em que o nome de Portas deixou de estar no cabeçalho do Indy, a sua prosa continuou nas páginas do jornal. A clássica coluna Antes Pelo Contrário, que tinha servido para o jornalista zurzir tudo o que era político e mexia, servia agora para o novo político piscar o olho aos eleitores, namorar apoios e confessar felicidades e infelicidades.

Por exemplo, isto: "Pouco a pouco, perco hábitos anarquistas e adquiro conveniências conservadoras. Resisti ao fato completo trinta e dois anos. (...) Lá comprei um fato. Confesso que foi caro e esclareço que é 'produto nacional'. E agora ando com uma gravata na pasta. Nesta matéria, já fui mais feliz".

Aqui fica a crónica na íntegra, que já vale como um documento histórico.

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Marcelo: toda a verdade sobre a direita, a esquerda e a direita da direita e a esquerda da direita

Que Marcelo Rebelo de Sousa se apresente nos dias que correm como "a esquerda da direita", ou à esquerda da direita da esquerda, é lá com ele. Nós, como diria a personagem do Herman, é mais bolos: podemos não estar a par das coordenadas exatas do professor nos dias que correm, mas sabemos qualquer coisinha sobre onde ele estava no final dos anos 80 e início dos 90's, quando Marcelo era um dos gurus das tropelias d'O Independente.

Até escrevemos bastante sobre isso no livro "O Independente - A Máquina de Triturar Políticos". Sim, não é por acaso que o professor lá está na capa, com a sua impagável barbicha dos eighties. E uma coisa é certa, por mais voltas que Marcelo queira dar à sua biografia, nesses tempos em que Cavaco mandava no país com uma agenda que Paulo Portas rotulava, sem apelo nem agravo, como sendo de esquerda, Marcelo estava do outro lado.

No outro dia, o José Manuel Mestre, da SIC, bem tentou confrontar o candidato Marcelo com esse seu passado, mas o candidato sabe muito e desviou para canto. Ora, vejam:

 

 

Então vamos a factos. Entre outras coisas, escrevemos isto no capítulo "Os Laranjinhas":

"O diretor‑adjunto [d'O Independente Paulo Portas], que não gostava dos «laranjinhas», não desgostava dos «laranjinhas» todos por igual. Não escondia a simpatia pelos que haviam de ser rotulados, anos depois, como «sulistas, elitistas e liberais». Concentravam‑‑se na distrital de Lisboa, que resistia à hegemonia cavaquista como a aldeia gaulesa resistia às tropas romanas. Era notória a proximidade d’O Independente com aquele grupo em que se destacava uma certa burguesia social‑‑democrata que não se rendia aos «homens sem história» da nova ordem: José Miguel Júdice, Marcelo Rebelo de Sousa, António Pinto Leite, Santana Lopes, Durão Barroso…

Marcelo entende que Portas «nunca resolveu o seu problema com o PSD». Se é verdade hoje, ainda mais era nos anos 80, quando essas feridas ainda eram recentes: por um lado, com a frustração por uma experiência mal sucedida na JSD; por outro, com a consciência de que era no ataque aos seus antigos correligionários que Portas mais brilhava. «Ele ganhou o estatuto de estrelinha no ataque ao PSD. A especialidade dele era irritar os laranjinhas». Os laranjinhas também se punham a jeito."

(...)

"O escolhido para agitar as águas na distrital de Lisboa, e, a partir daí, no partido, acabou por ser António Pinto Leite, para satisfação de Portas. Era um dos «elementos mais sá‑carneiristas da nova geração», um Pinto que tinha pinta, um «hippie na política», que andava à boleia e já tinha dado a volta ao mundo. Era
um dos membros do grupo que Portas tinha descoberto no Semanário e, no fundo, um dos nomes em quem residiam esperanças de uma renovação no PSD. Nas páginas d’O Independente, Pinto Leite era «um caso de talento, não um caso de emprego», que tinha uma «função muito estranha no cavaquismo – fazia o papel
de minoria étnica». Era o homem que podia fazer mexer o cavaquismo, exigindo mais política e menos economia.

Pinto Leite dava o exemplo, fazendo política pura. O primeiro, mais importante e mais perdido desafio político de António Pinto Leite a Cavaco foi o lançamento da candidatura autárquica de Marcelo Rebelo de Sousa em Lisboa. «O regresso violento da política», chamou‑lhe Portas, vendo na candidatura de Marcelo um balão de ensaio para uma coligação à direita ou, pelo menos, para um reajustamento à direita das coordenadas do PSD.

(...)

A escolha de Marcelo como candidato à câmara da capital foi o desenlace de uma longa novela. A opção da distrital de Lisboa podia ser a pedrinha que, no limite, levasse ao descarrilamento do cavaquismo. «Admitamos que Marcelo vence as eleições em Lisboa. […] Nasce uma alternativa a Cavaco Silva dentro do seu próprio partido», vislumbrou Portas. Podia ser a antecâmara da emancipação do PSD: «O cavaquismo chegou ao país apesar de Marcelo. O marcelismo chegará a Lisboa apesar de Cavaco. […] É o único canto do país em que o chefe não manda completamente». O próprio Marcelo conta que Paulo «apostava» numa vitória sua, mas que isso «foi uma maluquice». Mesmo a candidatura, diz, «foi uma loucura. Nem sei bem porque é que aceitei aquilo»39. Mas aceitou. E ao longo da campanha a esperança num renascer do PSD a partir da ala direita e do génio do professor de Direito foi aumentando.
Na pressa de ver Cavaco pelas costas, Portas lia no resultado das eleições europeias de 1989 (32,7% para o PSD, muito longe da maioria absoluta das legislativas, dois anos antes) o sinal de que o «mito» do líder «estava perdido». Sonhava com um desmoronamento em curso: «os barões do partido levantaram a voz», «os ministros queriam uma remodelação dos seus colegas», «a candidatura de Marcelo a Lisboa era a última que o chefe desejava. O cerco apertava‑‑se.»

A entrada em cena de Jorge Sampaio como candidato do PS a Lisboa elevou a parada. «Quando o chefe da oposição prefere a batalha de Lisboa à guerra do País, isso significa alguma importância. Quando o rival do primeiro‑‑ministro faz de Lisboa um pronunciamento ao País, isso significa uma alternativa», escrevia Portas. E reiterava, com todas as letras: «Toda a gente sabe que Marcelo pode ser alternativa a Cavaco Silva no partido.»"

 

Em resumo: Marcelo era, por esses dias, o expoente da direita do PSD, esse partido então assim-a-modos-que-de-centro-esquerda. E era pela graça desse direitismo que a sua candidatura a Lisboa, em 1989, causava tanto entusiasmo ao jovem Paulo Portas.

O futuro, previsto por Portas n'O Independente, seria assim:

- nas autárquicas de 1989, Marcelo conquistava Lisboa (para desconsolo de Cavaco)

- nas legislativas de 1991, Cavaco perdia a maioria absoluta e, por ser Cavaco, recusaria governar em maioria relativa ou em coligação - e sairia de cena. Nesse cenário, Marcelo, com o palco dado por Lisboa, seria a escolha óbvia para liderar o PSD e para ir buscar ao CDS os apoios que lhe faltassem. E assim a direita teria, finalmente, um projeto de poder.

Era um bom plano, certo? Pois...

Mas a realidade não ajudou (e outros pormenores que poderão ler no livro também não) .

O candidato Marcelo cruza-se em campanha com o livro do Indy, onde o Marcelo-Velho-Rasputine é personagem e fonte

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A campanha do candidato Marcelo, já se sabe, é uma coisa em forma de assim onde tudo pode acontecer. Até uma visita a uma agência funerária seguida de uma visita a uma livraria em Portalegre (e daqui se celebra o facto de em Portalegre ainda haver livrarias de rua que não são das grandes cadeias livreiras). Sobre funerárias não temos nada a dizer, mas sobre livrarias temos uma certeza: quem entra numa por estes dias corre sempre o risco de se cruzar com "O Independente - A Máquina de Triturar Políticos". Assim foi com o candidato Marcelo lá em Portalegre.

Foi um momento único, aquele em que o Marcelo 2016 olhou para a capa do livro onde está o Marcelo de finais dos 80's, ainda com a sua pêra mefistofélica enfeitando-lhe o rosto. No interior do livro, há o antigo Marcelo-em-versão-Velho-Rasputine, de que já demos conta aqui, e também o atual Marcelo-fonte-e-comentador-de-acontecimentos.

O Marcelo 2016 fez questão de sublinhar que "não só li o livro como contribuí para o livro com testemunhos". E por momentos vestiu ainda mais um fato, o de crítico de livros, para garantir que este "é um livro engraçado".

Engraçado mesmo foi este momento, tão bem registado pelo José Carlos Carvalho, fotógrafo do Expresso: o meta-momento em que o Marcelo-candidato comenta o livro onde estão outras duas versões do mesmo Marcerlo. Em resumo, uma maravilha para apaixonados por semiótica.

Quanto ao mais, deu-se o caso dos jornalistas quererem saber como é que o atual Marcelo, que é "a esquerda da direita", convive com o velho Marcelo, que era a direita da direita do PSD. Voltaremos a esse assunto...

Ano novo, música nossa - o compacto da playlist da TSF

Prometemos que o livro não faz jus à expressão "'tàs mas é a dar-me música". É mesmo bom! Acreditem. Contudo, tivemos de mandar cá para fora toda (ou alguma) música que temos dentro de nós.

Muitos de vocês terão ouvido a playlist da TSF na semana antes no Natal. Contamos algumas histórias - umas que têm a ver com o livro, outras nem tanto - e damos a conhecer um pouco daquilo que somos através das nossas escolhas. Confissão: parecíamos duas crianças numa loja de brinquedos.

Um muito obrigado à TSF que nos deu esta oportunidade. Esperemos que gostem. Tem de tudo lá dentro, rock, fado, pop, indie, clássica... É só ouvir este compacto. Divirtam-se neste novo ano.

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Portas: conhecer o animal jornalístico para perceber o animal político

O ano não acabou sem Paulo Portas voltar a fechar um capítulo da sua biografia, abrindo um novo que ainda não se percebeu com que voltas se escreverá. Na hora em que Portas anunciou o fim do seu ciclo de liderança do CDS, dois tubarões do jornalismo político português decidiram olhar para esse adeus através da história contada pelo nosso livro. O que nos diz o Portas do Indy sobre a muito longa vida do Portas animal político?

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 No Diário de Notícias, o subdiretor Nuno Saraiva diz que O Independente - A Máquina de Triturar Políticos é "um manual indispensável para perceber a cabeça e o modo de agir de Paulo Portas". Mas o Nuno escreve mais: que este foi, dos livros que leu "nos últimos tempos, o que mais prazer" lhe deu ler. Leiam aqui a crónica na íntegra, que vale a pena.

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 No Expresso Curto, a newsletter matinal do Expresso, o editor de política do jornal, Bernardo Ferrão, conta hoje que já leu o nosso livro. Para além de considerar que fizémos "um trabalho exemplar de análise de conteúdo e levantamento histórico sobre o que foi aquele jornal que era também um projeto político", confessa: "Devorei o livro com o prazer".

O Bernardo chama a atenção para a atualidade que esta viagem ao passado acaba por ter neste momento: "Agora que Paulo Portas anunciou a sua saída do CDS tenho-me lembrado recorrentemente de várias passagens da história do jornal. E sobretudo pôs-me a pensar como Paulo Portas é de facto um político com muitas vidas. É impressionante como soube dar a volta em vários episódios da sua longa carreira política". E continua, como poderão ler clicando neste link. Ide lá.

CDS - Como Deve Ser. Um prenúncio da discussão de hoje, por ele próprio... há 25 anos

O choque era outro. Tinha-lhe saído a segunda maioria absoluta de Cavaco Silva pela culatra e o futuro da direita estava pelas ruas da amargura. Paulo Portas ainda era o diretor do jornal que a direita devorava e pregava ao seu eleitorado futuro o que deveria ser o partido que representava a direita portuguesa. 

Sete, já se sabe, é o número da perfeição, da vida longa. E foi o número de recomendações de Paulo Portas para Como Deveria Ser o CDS. Passaram 25 anos, 16 com este homem ao leme. 

No dia em que Paulo Portas anuncia que vai deixar de ser o presidente do partido, quisemos dar o nosso contributo para a discussão futura do CDS. Quem já nos leu, já sabe que está lá muito na segunda parte do livro, para quem ainda não leu, mas está mortinho para isso, aqui deixamos um cheirinho. 

 

«A direita está pura e simplesmente no ponto zero. É a posição ideal para pôr tudo em causa e começar de novo» escrevia num artigo com reflexões progra‑máticas, estratégicas e táticas organizadas em «sete recomendações para quem pretenda pensar na direita».

1 - O centralismo não existe;

2 - O inimigo é a esquerda;

3 - Não há alianças;

4 - Oposição precisa-se;

5 - Acabou o ciclo dos professores;

6 - A democracia cristã não chega;

7 - As novas bandeiras.

 

Nem vale a pena comentar, não é?

 

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"Como uma libertação sexual": o Indy e a justiça (da entrevista na Rádio Renascença)

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O José Pedro Frazão, da Rádio Renascença, foi dos primeiros jornalistas a entrevistar-nos por causa de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. A entrevista passou logo no dia do lançamento, em novembro, e tínhamos memória de ter sido uma belíssima conversa sobre o livro, mas também sobre as marcas d'O Independente que ainda perduram no jornalismo e na política portuguesa. Também sobre a forma como, depois do Indy, mudou a relação entre o jornalismo e a justiça.

Pudémos agora confirmar essa boa memória, com a transcrição da entrevista, que a RR publicou na sua página. Aqui fica uma parte:

 

Há uma frase muito interessante no livro, com muita actualidade: "A Procuradoria-Geral da República foi central a alimentar o ‘Independente’”.

LV: Essa frase sai sobretudo por causa do caso Leonor Beleza, onde houve uma proximidade muito grande entre a justiça e o jornalismo. Muitas histórias nasceram da justiça. Paulo Portas tem uma frase que define essa relação "como uma libertação sexual: o jornalismo percebeu que se podia ir mais longe, os procuradores perceberam que se podia ir mais longe, os juízes também e os leitores ficaram a ganhar", diz Portas. Nasce aqui essa relação mais próxima que deu azo a muitas manchetes.

 

E aqui podem ler a entrevista na íntegra.

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