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O Independente A máquina de triturar políticos

"Como uma libertação sexual": o Indy e a justiça (da entrevista na Rádio Renascença)

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O José Pedro Frazão, da Rádio Renascença, foi dos primeiros jornalistas a entrevistar-nos por causa de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. A entrevista passou logo no dia do lançamento, em novembro, e tínhamos memória de ter sido uma belíssima conversa sobre o livro, mas também sobre as marcas d'O Independente que ainda perduram no jornalismo e na política portuguesa. Também sobre a forma como, depois do Indy, mudou a relação entre o jornalismo e a justiça.

Pudémos agora confirmar essa boa memória, com a transcrição da entrevista, que a RR publicou na sua página. Aqui fica uma parte:

 

Há uma frase muito interessante no livro, com muita actualidade: "A Procuradoria-Geral da República foi central a alimentar o ‘Independente’”.

LV: Essa frase sai sobretudo por causa do caso Leonor Beleza, onde houve uma proximidade muito grande entre a justiça e o jornalismo. Muitas histórias nasceram da justiça. Paulo Portas tem uma frase que define essa relação "como uma libertação sexual: o jornalismo percebeu que se podia ir mais longe, os procuradores perceberam que se podia ir mais longe, os juízes também e os leitores ficaram a ganhar", diz Portas. Nasce aqui essa relação mais próxima que deu azo a muitas manchetes.

 

E aqui podem ler a entrevista na íntegra.

Da série Grandes Títulos do Indy (5)

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Não se deixe levar ao engano, incauto leitor. Este não é o título de uma notícia sobre a "geringonça" cozinhada entre António Costa, o PCP, o BE e o PEV. Nem sobre os custos que (segundo a direita) a dita terá para o país.

É o título de uma notícia d'O Independente, em fevereiro de 1993, sobre uma geringonça montada pelo então ministro Silva Peneda para pagar umas viagens que tiveram ajudas de custo particularmente volumosas.

À 2ª é ainda melhor

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Este é o nosso mais novo. É quase igual ao anterior, mas melhor ainda.

Porque é a segunda edição e só isso já nos enche de orgulho. E porque aproveitámos para dar cabo de meia dúzia de gralhas que nos arreliaram. E ainda porque aproveitámos para reproduzir na contracapa e na badana algumas das coisas simpáticas que foram publicadas nestes dias sobre o nosso livro.

As lojas onde O Independente - A Máquina de Triturar Políticos estava esgotado - e são muitas, conforme nos tem dito a Matéria-Prima Edições e nos vão informando muitos leitores através da nossa página de Facebook  - começam esta sexta-feira a receber estes, acabadinhos de sair da gráfica. As lojas onde o livro chegou ao top de vendas também.

Boas leituras.

O governante cavaquista que chamava "lápides" às manchetes do Indy

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 No dia em que foi lançado O Independente - A Máquina de Triturar Políticos,  o Alexandre David entrevistou-nos para a Antena 1. Uma boa conversa, que pode ouvir aqui, sobre os tempos loucos do Indy e do cavaquismo e sobre o desgaste que aquelas manchetes provocavam a cada sexta-feira, sobretudo para quem estava no poder.

Entre outras histórias, contamos o caso de Paulo Teixeira Pinto, o oficialíssimo porta-voz da segunda maioria absoluta, que tinha a mania de se referir à primeira página d'O Independente como "a lápide". "Quem é que terá a sua lápide esta semana?", era a pergunta que todos ansiavam ver respondida.

 

No Expresso: Cadilhar, entaveirar e dar estalos a Cavaco

Têm sido tantas, e tão elogiosas, as referências na comunicação social a O Independente - A Máquina de Triturar Políticos, que não temos conseguido acompanhar o passo ao que tem sido dito e publicado sobre o nosso livro. Agora que passou o stress do lançamento, e conforme a nossa agenda profissional nos dê vagar (o pós-eleições e o governo de esquerda não têm dado muito descanso aos jornalistas de política, que é o que nós somos), vamos tentar pôr o trabalho em dia. Também não vos queremos maçar com um exercício onanista, por isso tentaremos intercalar essa parte de revista de imprensa com a publicação de mais tesourinhos nada deprimentes das velhas páginas do Indy.

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 Para início de conversa, aqui fica o texto que o Ricardo Costa publicou na quinta-feira, no Expresso Diário, exatamente à hora a que víamos a FNAC Chiado a abarrotar para a apresentação do livro.

Entre outras coisas, o diretor do Expresso (declaração de interesses - é o jornal onde o Filipe trabalha) escreve isto:

"Ao passar em revista aqueles anos de enorme agitação, o livro não se limita a relatar a vida no jornal e dos políticos que eram alvos das suas manchetes e investigações ou simples loucuras ou ódios. O livro faz um extraordinário relato do que foram esses anos políticos, apesar da lente d'O Independente ser tão boa e potente quanto distorcida."

O Ricardo, como nós, ficou encantado ao redescobrir o verbo cadilhar, que Miguel Esteves Cardoso inventou no auge dos escândalos de Miguel Cadilhe. E citou este bocadinho de uma crónica do MEC que é transcrita no livro:

“Cadilhar é obter uma coisa através de um esquema absolutamente legal. Legal, no sentido brasileiro, claro. É um jogo de palavra .(...) Enfim, é uma troca com garantia de baldroca, uma permuta. É um trocadilhe”. Depois do verbo vem o substantivo: “A estes negócios um bocadilhe dúbios e um bocadilhe aldrabados, que fazem o dia-a-dia dos portugueses, se dá o nome de cadilhes”.

Outro verbo de que já todos nos tínhamos esquecido - incluindo o Ricardo - é o verbo "entaveirar", também cunhado pelo MEC. E lembra, igualmente, o dia em que Portas escreveu que Cavaco "merecia um estalo".

O Ricardo conclui assim o seu texto:

"A genialidade de MEC e PP era evidente e o livro mostra isso página a página. Mas mostra também o seu snobismo absoluto e o mundo fechado onde viviam. Não há qualquer dúvida que foram a dupla mais criativa, divertida e louca do jornalismo português. E essa loucura tanto provocava coisas boas e ímpares como más e igualmente ímpares. E inevitavelmente rápidas. O livro mostra isso página a página. Com mais ou menos projeto político, aquela loucura era efémera. Não por ter pés de barro, mas por andar demasiado depressa. Tanto cadilharam, entaveiraram e deram estalos, que foram às suas vidas, deixando o jornal condenado a um plano inclinado irreversível."

Mas o melhor mesmo é ler o texto todo.

 

"Isto entrou, tem de sair", um clássico do Indy

"Isto entrou, tem de sair. O melhor será acalmar porque, se tem de sair, convém que seja da maneira mais simples" - as palavras são de Maria Antónia Cadilhe, a mulher do primeiro ministro das Finanças dos governos de Cavaco Silva. "Isto" era o filho do casal, na singela descrição do parto feita pela Senhora Cadilhe numa entrevista a Helena Sanches Osório, uma das mais extraordinárias jornalistas do Indy. O texto, que pode ler abaixo, fez furor na época e fez escola para o futuro.

Conforme pode ler em O Independente - A Máquina de Triturar Políticos:

"O passado do casal Cadilhe foi partilhado com os leitores d’O Independente, na primeira pessoa, por Maria Antónia, a mulher do ministro que o semanário transformou numa vedeta improvável. Numa reportagem sobre a vida das mulheres de três ministros, a primeira-dama das Finanças destacava-se. O texto de Helena Sanches Osório tinha tudo para se tornar de antologia, graças à candura com que Antónia contava pormenores da sua vida conjugal e a cruel objectividade com que a jornalista os estampou."

 

do capítulo Os Primos de Linda de Suza

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(na imagem, o nosso documento de trabalho, devidamente sulinhado e anotado)

PS: O lançamento do nosso livro, esta quinta-feira, foi um sucesso. A FNAC Chiado foi demasiado pequena para acolher todos os que foram parabenizar-nos, acarinhar-nos e ouvir as apresentações do João Miguel Tavares e do Ricardo Araújo Pereira, que disseram coisas inteligentes e divertidas. A todos fica um enorme obrigado. Ver tantos amigos encheu-nos o coração. Mas esse será assunto para outro post...

Apresentações (II)

Esta é uma história d’O Independente. De como germinou em duas das melhores cabeças que escreviam na imprensa portuguesa – Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas –, fez caminho num tempo de euforia em que tudo era possível e se impôs como um produto culturalmente necessário e politicamente incorreto. Esta é, sobretudo, a história d’O Independente político – as cachas, os escândalos, as manchetes, os editoriais corrosivos de Portas, a ironia desenfreada de Esteves Cardoso. O jornal como facto político e como criador de factos políticos. Não foi irrelevante, para a escolha deste ângulo, o facto dos seus dois autores serem jornalistas com um percurso quase todo feito no noticiário político.

Focámo-nos nos dois aspectos que nos parecem os mais interessantes e mais relevantes para esta história política d'O Independente: o semanário enquanto ácido sulfúrico do cavaquismo e fermento de uma nova direita. (...)

 

da Introdução

 

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Tudo isto para lembrar que O Independente - A Máquina de Triturar Políticos está à venda a partir de hoje. E que o lançamento é hoje à tarde, na FNAC Chiado. Quem faltar não sabe o que perde.

Até logo.

Do Bonéco para O Independente

O Vicente Jorge Silva escreveu o prefácio de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. Não podíamos ter um melhor arranque para o nosso livro. Era o Vicente que nós queríamos, e o Vicente aceitou na hora. A escolha tem uma história.

Os últimos anos dos 80s trouxeram boas notícias para a imprensa portuguesa. Um cocktail de fundos europeus, dinheiro fresco dos "masters of the universe" da bolsa e processo de privatizações em curso permitiu o lançamento de novos títulos e o rejuvenenscimento de antigos pela mão de privados.

Os investimentos fervilhavam, mas, dos muitos títulos criados, poucos deixaram lastro. Em rigor, só dois: O Independente e o Público. O primeiro, lançado em maio de 1989, feito por uma nova geração de jornalistas, irreverentes e sem medo de dizer coisas de direita; o segundo, a chegar às bancas em janeiro de 1990, com uma redação povoada de jornalistas consagrados e uma indisfarçada inclinação de esquerda.

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 O Público tardou: o lançamento de janeiro derrapou para março, o que permitiu ao semanário de Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas rir-se da futura concorrência. A primeira picardia com o diário dirigido por Vicente Jorge Silva foi uma capa falsa do Público, cópia quase perfeita do modelo gráfico de Henrique Cayate à exceção do cabeçalho, onde o nome do jornal era "Bonéco" (com acento no "e") - a piada é fácil de explicar: a redação do novo diário continuava a "trabalhar para o boneco". E o acento no "e" não era defeito, era feitio, para imitar o acento de "Público".

No início dos anos 90, O Independente e o Público eram o que havia de mais estimulante nos quiosques de jornais. Cosmopolitas, modernos, esteticamente apurados, editorialmente aguerridos, tinham uma voz e deixaram uma marca. Eram de planetas distintos e não podiam ser mais diferentes. Mas foram, cada um à sua medida, uma revolução na imprensa portuguesa. Por isso, para nós fazia todo o sentido que o prefácio do livro sobre O Independente fosse escrito pelo fundador e primeiro diretor do Público.

O Vicente Jorge Silva aceitou, sem hesitar, o desafio que lhe lançámos. Escreveu um prefácio com uma visão muito pessoal sobre a história que contamos, mas resistiu à tentação de ajustes de contas. E escreveu coisas que nos deixaram orgulhosos, como esta:

"Este livro propõe um estimulante exercício de memória, onde muitos se sur- preenderão por reencontrar, evocados com uma minúcia extraordinária, variadíssimos episódios da história inicial d’O Independente. A leitura é, por vezes, tão aliciante como a de um thriller rico em intriga, peripécias e golpes inesperados."

Como não podia deixar de ser, o Vicente - que, tal como Portas, acabou por fazer a transição do jornalismo para a política, mas com menos sucesso - foca-se na figura de Portas e nos inevitáveis paralelismos entre aquilo que este escreveu como ideólogo d'O Independente e o que fez, depois, enquanto político.

"Tendo chegado a vice-primeiro-ministro, é irresistível o confronto entre o que escrevia Portas no Indy e a sua actuação no Governo. Que resta da revolta do contribuinte contra o roubo dos impostos e da luta sem tréguas contra uma Europa predadora da nossa soberania? Que sobrevive do jovem e sanguíneo Portas no caixeiro-viajante da diplomacia económica?"

O Vicente também escreve sobre Paulo Portas e Marcelo Rebelo de Sousa, com a autoridade de conhecer bem Marcelo, com quem conviveu muitos anos no Expresso. Mas essa parte fica para ler no livro.

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