Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Independente A máquina de triturar políticos

"Isto entrou, tem de sair", um clássico do Indy

"Isto entrou, tem de sair. O melhor será acalmar porque, se tem de sair, convém que seja da maneira mais simples" - as palavras são de Maria Antónia Cadilhe, a mulher do primeiro ministro das Finanças dos governos de Cavaco Silva. "Isto" era o filho do casal, na singela descrição do parto feita pela Senhora Cadilhe numa entrevista a Helena Sanches Osório, uma das mais extraordinárias jornalistas do Indy. O texto, que pode ler abaixo, fez furor na época e fez escola para o futuro.

Conforme pode ler em O Independente - A Máquina de Triturar Políticos:

"O passado do casal Cadilhe foi partilhado com os leitores d’O Independente, na primeira pessoa, por Maria Antónia, a mulher do ministro que o semanário transformou numa vedeta improvável. Numa reportagem sobre a vida das mulheres de três ministros, a primeira-dama das Finanças destacava-se. O texto de Helena Sanches Osório tinha tudo para se tornar de antologia, graças à candura com que Antónia contava pormenores da sua vida conjugal e a cruel objectividade com que a jornalista os estampou."

 

do capítulo Os Primos de Linda de Suza

FullSizeRender.jpg

(na imagem, o nosso documento de trabalho, devidamente sulinhado e anotado)

PS: O lançamento do nosso livro, esta quinta-feira, foi um sucesso. A FNAC Chiado foi demasiado pequena para acolher todos os que foram parabenizar-nos, acarinhar-nos e ouvir as apresentações do João Miguel Tavares e do Ricardo Araújo Pereira, que disseram coisas inteligentes e divertidas. A todos fica um enorme obrigado. Ver tantos amigos encheu-nos o coração. Mas esse será assunto para outro post...

Para Marcelo, com vingança

A relação de Paulo Portas com Marcelo Rebelo de Sousa vem dos tempos em que Portas nem tinha idade para votar e é uma das muitas histórias que contamos em O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. Porque tem tudo a ver com a história d'O Independente. Marcelo, que era fonte de todos os jornais, era mais do que apenas fonte do Indy: falava amiúde com Portas, que o projetava em altos voos no PSD, e, como grande fazedor de factos políticos, tinha artes de, todas as semanas, deixar a sua marca na edição seguinte do jornal de Portas.

Depois... houve a vichyssoise. A partir daí, Portas deixou de falar com Marcelo, mas não deixou de escrever sobre ele. Eis um bocadinho do que escreveu.

MRS.jpg

 

Apresentações (II)

Esta é uma história d’O Independente. De como germinou em duas das melhores cabeças que escreviam na imprensa portuguesa – Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas –, fez caminho num tempo de euforia em que tudo era possível e se impôs como um produto culturalmente necessário e politicamente incorreto. Esta é, sobretudo, a história d’O Independente político – as cachas, os escândalos, as manchetes, os editoriais corrosivos de Portas, a ironia desenfreada de Esteves Cardoso. O jornal como facto político e como criador de factos políticos. Não foi irrelevante, para a escolha deste ângulo, o facto dos seus dois autores serem jornalistas com um percurso quase todo feito no noticiário político.

Focámo-nos nos dois aspectos que nos parecem os mais interessantes e mais relevantes para esta história política d'O Independente: o semanário enquanto ácido sulfúrico do cavaquismo e fermento de uma nova direita. (...)

 

da Introdução

 

Convite_independente1 (1).jpg

 

Tudo isto para lembrar que O Independente - A Máquina de Triturar Políticos está à venda a partir de hoje. E que o lançamento é hoje à tarde, na FNAC Chiado. Quem faltar não sabe o que perde.

Até logo.

Eu cadilho, tu cadilhas, ele entaveira

Falar sobre O Independente é recuperar os momentos mais emblemáticos e polémicos da política portuguesa dos anos 80 e 90. Mas é também lembrar vocabulário inventado por uma redação criativa e em constante erupção. Lembra-se dos verbos "cadilhar" ou "entaveirar"? As histórias que lhe deram origem estão contadas no livro. Partiram da imaginação de Miguel Esteves Cardoso, que se inspirou nas notícias (e entrevistas como esta em baixo) a duas personagens da vida política e social portuguesa: Miguel Cadilhe e Tomás Taveira. Já se está bem a ver qual é o significado destes verbos, não está? Para mais sinónimos... é esperar pelo livro.

Fique com uma das capas da revista mais emblemáticas.

capas grafica 99-6.jpg

 

 

Do Bonéco para O Independente

O Vicente Jorge Silva escreveu o prefácio de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. Não podíamos ter um melhor arranque para o nosso livro. Era o Vicente que nós queríamos, e o Vicente aceitou na hora. A escolha tem uma história.

Os últimos anos dos 80s trouxeram boas notícias para a imprensa portuguesa. Um cocktail de fundos europeus, dinheiro fresco dos "masters of the universe" da bolsa e processo de privatizações em curso permitiu o lançamento de novos títulos e o rejuvenenscimento de antigos pela mão de privados.

Os investimentos fervilhavam, mas, dos muitos títulos criados, poucos deixaram lastro. Em rigor, só dois: O Independente e o Público. O primeiro, lançado em maio de 1989, feito por uma nova geração de jornalistas, irreverentes e sem medo de dizer coisas de direita; o segundo, a chegar às bancas em janeiro de 1990, com uma redação povoada de jornalistas consagrados e uma indisfarçada inclinação de esquerda.

Boneco.jpg

 O Público tardou: o lançamento de janeiro derrapou para março, o que permitiu ao semanário de Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas rir-se da futura concorrência. A primeira picardia com o diário dirigido por Vicente Jorge Silva foi uma capa falsa do Público, cópia quase perfeita do modelo gráfico de Henrique Cayate à exceção do cabeçalho, onde o nome do jornal era "Bonéco" (com acento no "e") - a piada é fácil de explicar: a redação do novo diário continuava a "trabalhar para o boneco". E o acento no "e" não era defeito, era feitio, para imitar o acento de "Público".

No início dos anos 90, O Independente e o Público eram o que havia de mais estimulante nos quiosques de jornais. Cosmopolitas, modernos, esteticamente apurados, editorialmente aguerridos, tinham uma voz e deixaram uma marca. Eram de planetas distintos e não podiam ser mais diferentes. Mas foram, cada um à sua medida, uma revolução na imprensa portuguesa. Por isso, para nós fazia todo o sentido que o prefácio do livro sobre O Independente fosse escrito pelo fundador e primeiro diretor do Público.

O Vicente Jorge Silva aceitou, sem hesitar, o desafio que lhe lançámos. Escreveu um prefácio com uma visão muito pessoal sobre a história que contamos, mas resistiu à tentação de ajustes de contas. E escreveu coisas que nos deixaram orgulhosos, como esta:

"Este livro propõe um estimulante exercício de memória, onde muitos se sur- preenderão por reencontrar, evocados com uma minúcia extraordinária, variadíssimos episódios da história inicial d’O Independente. A leitura é, por vezes, tão aliciante como a de um thriller rico em intriga, peripécias e golpes inesperados."

Como não podia deixar de ser, o Vicente - que, tal como Portas, acabou por fazer a transição do jornalismo para a política, mas com menos sucesso - foca-se na figura de Portas e nos inevitáveis paralelismos entre aquilo que este escreveu como ideólogo d'O Independente e o que fez, depois, enquanto político.

"Tendo chegado a vice-primeiro-ministro, é irresistível o confronto entre o que escrevia Portas no Indy e a sua actuação no Governo. Que resta da revolta do contribuinte contra o roubo dos impostos e da luta sem tréguas contra uma Europa predadora da nossa soberania? Que sobrevive do jovem e sanguíneo Portas no caixeiro-viajante da diplomacia económica?"

O Vicente também escreve sobre Paulo Portas e Marcelo Rebelo de Sousa, com a autoridade de conhecer bem Marcelo, com quem conviveu muitos anos no Expresso. Mas essa parte fica para ler no livro.

"Às quintas-feiras o Governo quase parava em pânico para ver quem era a vítima do dia seguinte"

Luís Marques Mendes apresentou o nosso livro no Jornal da Noite da SIC e declarou, urbi et orbi, que "o Filipe e a Liliana fizeram um belíssimo trabalho".

Depois disto, aguarda-nos o MEO Arena. Até lá, podem ver o vídeo

 

 

"Cavaco, se não é de esquerda, parece"

FullSizeRender.jpg

 Sim, todos nos recordamos que, quando Paulo Portas era diretor d'O Independente, não gostava de Cavaco Silva nem um bocadinho. Este post abaixo dá uma ideia do quanto.

Mas a questão é: porquê? O que fez de Portas um dos mais ferozes e demolidores adversários do então primeiro-ministro? As razões são várias, e esta crónica, publicada logo numa das primeiras edições do Indy, elenca algumas: Cavaco "soube-me a pouco", escreve Portas. E revelou-se um político igual aos seus "colegas costumeiros", acrescenta.

Mas uma razão sobrepunha-se a todas as outras: Portas entendia que Cavaco não era de direita. "Se não é de esquerda, parece". Portas escreveu inúmeros textos n'O Independente a insistir nesse argumento. Este foi primeiro - e, com o tempo, iria bem mais longe nessa acusação.

(na imagem, o nosso documento de trabalho, devidamente riscado e anotado)

"Sistemático, divertido e implacável". Ena, ena!

O Ricardo Costa, diretor do Expresso, anda a ler O Independente - A Máquina de Triturar Políticos, para escrever uma recensão para a próxima edição da Revista E. Esta segunda-feira foi ele quem tirou o Expresso Curto, e dá algumas pistas sobre o que aí vem:

FullSizeRender.jpg

 «O livro é sistemático e divertido, implacável no escrutínio e bem-disposto nas citações e conclusões. Passa a pente fino todas edições até 1995, ano em que Portas troca o jornalismo pela política e Vasco Pulido Valente se alista como deputado do PSD, num momento profundamente ridículo do cronista que mais tinha descrito a "vulgaridade" do cavaquismo. Poucos meses depois, foi a vez de Paulo Portas apelar ao voto em Cavaco nas presidenciais num discurso no Parlamento que contrariou tudo o que tinha escrito antes.

Os autores já andam a mostrar algumas coisas do livro no divertido blog Livroindy, onde lembram algumas das melhores histórias de O Independente. É ir lendo os posts até ao lançamento marcado para quinta-feira na FNAC do Chiado, com apresentação de Ricardo Araújo Pereira e João Miguel Tavares.»

 

"A grande novidade" de Marques Mendes

O Independente saía à sexta-feira, o livro sairá na próxima quinta, mas é a "grande novidade" deste domingo. 

Marques Mendes divulgou o nosso livro, esta noite, no comentário habitual no Jornal da Noite da SIC. Assim que o link ficar disponível, colocaremos aqui para quem não conseguiu ver. 

Já falta pouco :) 

IMG_2536.PNG

IMG_2535.PNG

 

Habemus Capa!

O Independente_K.JPG

A nossa ideia era fazer a capa do livro como se fosse uma primeira página de O Independente, numa homenagem ao mítico grafismo do Jorge Colombo. Saiu melhor do que a encomenda (é verdade, as fotografias de época ajudam - e nem vamos falar do penteado armado de Leonor Beleza, nem da pêra mefistofélica de Marcelo, nem do bigode farfalhudo de Dias Loureiro...).

Aqui fica o nosso agradecimento à Matéria-Prima Edições, que fez um livro lindo, e em particular ao Pedro Fernandes, que desenhou esta capa tão catita. A partir da próxima 5ª feira O Independente - A Máquina de Triturar Políticos está nas lojas e poderão confirmar que não estamos a exagerar.

Pág. 4/4

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D