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O Independente A máquina de triturar políticos

Da série Grandes Títulos do Indy (5)

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Não se deixe levar ao engano, incauto leitor. Este não é o título de uma notícia sobre a "geringonça" cozinhada entre António Costa, o PCP, o BE e o PEV. Nem sobre os custos que (segundo a direita) a dita terá para o país.

É o título de uma notícia d'O Independente, em fevereiro de 1993, sobre uma geringonça montada pelo então ministro Silva Peneda para pagar umas viagens que tiveram ajudas de custo particularmente volumosas.

Da série Grandes Títulos do Indy (4)

A moção do ridículo.jpg

Não, leitor incauto, este não se trata de um título sobre a moção de rejeição que o PSD e o CDS apresentaram contra o programa do Governo, apesar de saberem que a rejeição seria rejeitada.

É o título de uma notícia de novembro de 1993, sobre umas trapalhadas no grupo parlamentar do PSD (what else?).

 

Catroga com o Indy debaixo do braço. E muita mais gente

Temos recebido muitas notícias de que o Indy não só anda por aí como anda em todo o lado. A melhor de todas, claro, é vermo-nos, por semanas sucessivas, em primeiro lugar nos tops de não-ficção das principais cadeiras de livrarias do país. Mas isso, que não é pouco, é a linguagem fria dos números.

O que nos enche de orgulho são mesmo os casos com gente dentro. E, sim, incluem-se nesta categoria os amigos que nos foram ver e ouvir ao NorteShopping na quarta-feira, num lançamento onde o Carlos Daniel e o Miguel Guedes disseram coisas para lá de espetaculares. E, para além deles, várias pessoas que vieram ter connosco para dizer coisas igualmente espetaculares sobre o quanto gostaram, estão a gostar ou apostam que vão gostar do livro.

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E, depois, há "notícias" como esta, que nos mandaram ontem, com a mensagem "até no comboio ele está presente". E lá está ele, O Independente - A Máquina de Triturar Políticos, a fazer companhia a uma passageira da linha de Sintra.

Neste caso, ficámos sem saber quem era a nossa leitora. Mas há muitos casos em que sabemos. Por exemplo, há dias, Eduardo Catroga foi visto a comprar o livro do Indy, tendo saído de uma livraria das Amoreiras com um ar muito satisfeito com a sua nova aquisição. Nós, que gostamos de pessoas felizes, ficámos contentes. E esperamos que o dr. Catroga também tenha ficado contente por se reencontrar com o seu passado. Este, por exemplo.

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No Porto vamos sentir-nos em casa. Apareçam também

 

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O Miguel Guedes e o Carlos Daniel aceitaram o nosso convite para fazerem as honras da casa na apresentação do nosso livro no Porto. Respect! Temos a certeza de que, com anfitriões destes, esta alentejana e este madeirense se vão sentir em casa. 

Quem ainda não pôs na agenda vai muito a tempo: é na próxima quarta-feira, dia 2 de dezembro, às 19h00, na FNAC do Norte Shopping. Vamos falar de jornais e de trituração de políticos em geral, e de um jornal em particular que era tão livre, tão livre, que mesmo tendo feito muitas asneiras deixou imensas saudades.

Estão todos convidados. Apareçam, que vai ser divertido.

Um Inferno muito Independente

Fomos ao Inferno e temos o video para mostrar. Uma conversa sobre bimbos, João de Deus Pinheiro, manchetes que continuariam a fazer sentido ainda hoje e o fracasso estrondoso d'O Independente, que queria dar cabo de Cavaco... sendo evidente que Cavaco ainda mexe e O Independente já não (a não ser na versão A Máquina de Triturar Políticos).

Não há duas sem três

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Aí está a terceira edição. Obrigado a todos os que têm contribuído para fazer de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos um sucesso de vendas e de crítica.

Têm-nos perguntado se o bom desempenho do livro é a prova de que há muita gente com saudades d'O Independente. Sem querermos presumir as motivações alheias, parece-nos que não arriscaremos muito se dissermos que o sucesso do livro é, em boa medida, credor do sucesso do Indy. E acaba por ser uma homenagem a quem o fez, sobretudo nos tempos áureos sobre os quais o livro se dedica, quando coabitavam os nossos três protagonistas: Miguel Esteves Cardoso, Paulo Portas e Cavaco Silva. Há uma nostalgia d’O Independente e do que o jornal significou: a irreverência, o arrojo, o desafio, a capacidade de sacar grandes notícias e embrulhá-las bem, a qualidade dos textos, o impacto das primeiras páginas, os trocadilhos das manchetes, autênticos soundbites antes de sabermos o que era um soundbite.

O Indy era um jornal bem-humorado e mal comportado, como nunca voltou a haver outro. E com uma liberdade enorme, que usava sem pedir licença e, mesmo quando ia longe demais, sem pedir perdão. Talvez a nostalgia d’O Independente também seja a nostalgia dessa liberdade, sem medo de arriscar e de se espalhar ao comprido, e desses tempos em que tudo parecia possível. E, n’O Independente, tudo era mesmo possível.

O Deus da manta

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Primeiro, as más notícias: escusam procurar, porque O Independente - A Máquina de Triturar Políticos , apesar de reproduzir dezenas de primeiras páginas do jornal, não reproduz a famosa manchete sobre a manta da TAP que terá sido "adotada" por João de Deus Pinheiro. A razão é fácil de explicar  e ainda mais fácil de perceber: apesar de essa ser uma das mais míticas manchetes do Indy, nunca aconteceu.

Nada, népia, nicles. Nunca houve uma manchete sobre a manta de Deus Pinheiro. O que houve foi uma chamada num cantinho da primeira página de 26 de julho de 1991 - esta aqui ao lado (é verdade: a manchete era sobre os "intocáveis" do clã Espírito Santo, o que nos dá a medida do quanto o país, tendo mudado muito, mudou pouco nestas décadas).

Agora, as boas notícias: no livro contamos toda a história da manta e os seus bastidores. Desde a notícia original - curta, na última página, com um dos títulos mais geniais de sempre d'O Independente, "Deus Pinheiro, El mantador" - até ao pedido de desculpas e à indemnização paga ao então ministro dos Negócios Estrangeiros.

E, sim,  também escrevemos sobre as fontes dessa notícia. Mas para isso terão de ler o livro. Divirtam-se.

Mimos da blogosfera

A Patrícia Reis cometeu o delito de nos escolher como blogue da semana no Delito de Opinião. Ela chama-nos "jornalistas de mão cheia" e escreve que gostou do livro e do blog. 

A Sónia Morais Santos também anda com O Independente debaixo do braço e já escreveu que está "a adorar".

É assim, a blogosfera estraga-nos com mimos.

Tudo isto é top!

Acreditem: não é jactância, nem bazófia, nem fanfarrice. É alegria mesmo. E uma pontinha de surpresa. Sempre achámos que tínhamos uma boa história para contar, sobre um jornal que marcou uma época (e sobre essa época), um jornal que ficou na memória de muita gente e nunca foi substituído por nenhum outro. Acreditámos que a estávamos a contar da melhor forma que éramos capazes. E apostámos que haveria um público para esta história, caso contrário não lhe teríamos dedicado tanto tempo.

Mas não estávamos preparados para o sucesso em que se transformou O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. A 2ª edição já está nas lojas e a 3ª está quase a chegar. E, pela segunda semana consecutiva, estamos em todos os tops mais relevantes:

1º lugar no top de não-ficção da Bertrand

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1º lugar no top de não-ficção da FNAC (5º lugar no top geral)

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1º lugar no top geral das livrarias Bulhosa

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1º lugar no top geral do El Corte Inglés

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Obrigado a todos.

(incluindo aos amigos que nos mandaram as fotos - até as que têm pouca qualidade.)

O economista Aníbal e os economistas

No dia em que o Presidente Cavaco recebe em Belém "os economistas", vale a pena recordar o que O Independente escrevia nos anos 80 e 90 - sobretudo pela mão de Paulo Portas e Vasco Pulido Valente - sobre a capacidade técnica do economista Aníbal, que na época chefiava o Governo. Eis um excerto do que podem ler no nosso livro sobre esse tema candente:

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O ano em que o semanário de Miguel Esteves Cardoso nasceu deu razões para questionar o mito da capacidade técnica de Cavaco. A meta de inflação – um dos dados mais relevantes num país que, pouco antes, a via galopar acima de dois dígitos – devia ficar, nesse ano, pelos 6%. Uma previsão lançada com espalhafato, e gorada com estrondo: no verão, já era certo que a evolução dos preços não ficaria abaixo de 9%. Para Portas, era a demonstração da qualidade dos «técnicos» que governavam. «Se há coisa que um governo de técnicos não pode fazer é enganar‑se nas contas».

«Todo o mundo sabe: as virtudes do governo são as do contabilista, não são as do filósofo. Se o povo está satisfeito, é porque come, não é porque sonha. […] A legitimidade deste governo, em suma, nada tem a ver com a alma. O seu negócio são os números. O que todo o cidadão previdente espera do poder é o que lhe foi anunciado de modo concreto, preciso e verificável. […] Quem promete números tem de os cumprir. [...]»
(...)

Se o fim da década de 80 levantou dúvidas sobre a capacidade económica de Cavaco, o início dos 90 consolidou‑as. O político que gostava de discursar por algarismos começava a revelar «uma relação esquisita com os números. Quando gosta deles, é exibicionista. Quando não gosta, é censor. Quando pode, é manipulador».

(...)
«Na sua inocência, o leigo acredita que os governantes sabem governar e, sobretudo, que os economistas sabem economia», notava Vasco Pulido Valente. «Ora, os economistas sabem economia como os médicos dos princípios do século xix sabiam medicina. […] O dr. Cavaco, economista, prometeu do pináculo das suas luzes teóricas “desenvolver a Pátria”. […] [Mas] não trazia no bolso uma receita experimentada e segura para uma desordem específica. Trazia apenas a sua fé e algumas tinetas. […] Como os médicos do século XIX, o dr. Cavaco contava exclusivamente (Deus me perdoe) com a sua “maneira de cama”, ou seja, com a sua arte de animar o doente. Se o doente por si próprio se curasse, o mérito era dele. Se não se curasse, a culpa era dos “velhos do Restelo”, das “carpideiras”, das “forças de bloqueio”, dos jornalistas e da “situação internacional”, numa palavra, do ar.»

do capítulo O Homo Cavacus

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