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O Independente A máquina de triturar políticos

Da série Grandes Títulos do Indy (5)

Nas custas do povo.jpg

 

Não se deixe levar ao engano, incauto leitor. Este não é o título de uma notícia sobre a "geringonça" cozinhada entre António Costa, o PCP, o BE e o PEV. Nem sobre os custos que (segundo a direita) a dita terá para o país.

É o título de uma notícia d'O Independente, em fevereiro de 1993, sobre uma geringonça montada pelo então ministro Silva Peneda para pagar umas viagens que tiveram ajudas de custo particularmente volumosas.

O economista Aníbal e os economistas

No dia em que o Presidente Cavaco recebe em Belém "os economistas", vale a pena recordar o que O Independente escrevia nos anos 80 e 90 - sobretudo pela mão de Paulo Portas e Vasco Pulido Valente - sobre a capacidade técnica do economista Aníbal, que na época chefiava o Governo. Eis um excerto do que podem ler no nosso livro sobre esse tema candente:

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O ano em que o semanário de Miguel Esteves Cardoso nasceu deu razões para questionar o mito da capacidade técnica de Cavaco. A meta de inflação – um dos dados mais relevantes num país que, pouco antes, a via galopar acima de dois dígitos – devia ficar, nesse ano, pelos 6%. Uma previsão lançada com espalhafato, e gorada com estrondo: no verão, já era certo que a evolução dos preços não ficaria abaixo de 9%. Para Portas, era a demonstração da qualidade dos «técnicos» que governavam. «Se há coisa que um governo de técnicos não pode fazer é enganar‑se nas contas».

«Todo o mundo sabe: as virtudes do governo são as do contabilista, não são as do filósofo. Se o povo está satisfeito, é porque come, não é porque sonha. […] A legitimidade deste governo, em suma, nada tem a ver com a alma. O seu negócio são os números. O que todo o cidadão previdente espera do poder é o que lhe foi anunciado de modo concreto, preciso e verificável. […] Quem promete números tem de os cumprir. [...]»
(...)

Se o fim da década de 80 levantou dúvidas sobre a capacidade económica de Cavaco, o início dos 90 consolidou‑as. O político que gostava de discursar por algarismos começava a revelar «uma relação esquisita com os números. Quando gosta deles, é exibicionista. Quando não gosta, é censor. Quando pode, é manipulador».

(...)
«Na sua inocência, o leigo acredita que os governantes sabem governar e, sobretudo, que os economistas sabem economia», notava Vasco Pulido Valente. «Ora, os economistas sabem economia como os médicos dos princípios do século xix sabiam medicina. […] O dr. Cavaco, economista, prometeu do pináculo das suas luzes teóricas “desenvolver a Pátria”. […] [Mas] não trazia no bolso uma receita experimentada e segura para uma desordem específica. Trazia apenas a sua fé e algumas tinetas. […] Como os médicos do século XIX, o dr. Cavaco contava exclusivamente (Deus me perdoe) com a sua “maneira de cama”, ou seja, com a sua arte de animar o doente. Se o doente por si próprio se curasse, o mérito era dele. Se não se curasse, a culpa era dos “velhos do Restelo”, das “carpideiras”, das “forças de bloqueio”, dos jornalistas e da “situação internacional”, numa palavra, do ar.»

do capítulo O Homo Cavacus

O "parolo" que manda nisto tudo

A Sábado fez na semana passada quatro páginas de pré-publicação de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. A escolha recaiu sobre os capítulos dedicados a Cavaco, à sua Maria e aos cavaquistas.

Calha mesmo bem, porque é Cavaco - o homem a quem o Indy dedicou todo o tipo de adjetivos, e quase todos desagradáveis - quem tem agora a decisão política que vai determinar o futuro da política portuguesa. Vale a pena ler o best of feito pela Sábado (clique na imagem para ver maior). E ler mais no livro.

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Quer chamar nomes a Cavaco? Aprenda com quem sabe

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Vaidoso, vulgar, manipulador, demagogo, narcisista, cínico, estatista, burocrata, maníaco, altivo, autocrata, autoritário, despótico, carismático, egocêntrico, justiceiro, pseudo-iluminado, bimbo, banal, curto, limitado, paroquial, parolo, prepotente, medroso, sem brilho, sem dimensão, arrivista, reacionário, obtuso, confuso, cego, surdo, esquálido, interesseiro, inepto, simplista, oportunista, populista, mediano, salazarzinho de subúrbio, imitação barata, vingativo, tosco, arrogante, um bom hipócrita, pequeno, piroso, pusilânime. Assim era Cavaco Silva, na caraterização exuberante de O Independente. Ninguém foi mais descrito, analisado, noticiado, narrado e adjectivado pelo jornal do que ele.

 

do capítulo O Homo Cavacus

Os segredos de Oliveira e Costa (sim, esse...)

Começamos a publicação de pequenos diamantes jornalísticos que reluziram nas páginas d'O Independente e são merecidamente recuperados no livro O Independente - A Máquina de Triturar Políticos.

E que melhor começo do que com uma figura que marcou a vida pública portuguesa nos últimos trinta anos? Um economista magro e seco, homem que se fez a si mesmo, que subiu na vida a pulso e se apoiou sempre no ninho familiar, até alcançar o estrelato na constelação social-democrata.

Falamos, obviamente, de José Oliveira e Costa. Sim, esse. Anos antes de ser o Oliveira e Costa do BPN, era o Oliveira e Costa dos Assuntos Fiscais, secretário de Estado do segundo governo de Cavaco que teve em mãos a grande reforma fiscal do final dos 80's. Em dezembro de 1988, poucos meses depois do lançamento do jornal, O Independente publicou o seu perfil. O texto, de Isabel Oliveira, revela um Oliveira e Costa como nunca ninguém o imaginara. Aqui fica uma parte. No livro há mais (nas lojas a partir de 5 de novembro).

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