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O Independente A máquina de triturar políticos

Catroga com o Indy debaixo do braço. E muita mais gente

Temos recebido muitas notícias de que o Indy não só anda por aí como anda em todo o lado. A melhor de todas, claro, é vermo-nos, por semanas sucessivas, em primeiro lugar nos tops de não-ficção das principais cadeiras de livrarias do país. Mas isso, que não é pouco, é a linguagem fria dos números.

O que nos enche de orgulho são mesmo os casos com gente dentro. E, sim, incluem-se nesta categoria os amigos que nos foram ver e ouvir ao NorteShopping na quarta-feira, num lançamento onde o Carlos Daniel e o Miguel Guedes disseram coisas para lá de espetaculares. E, para além deles, várias pessoas que vieram ter connosco para dizer coisas igualmente espetaculares sobre o quanto gostaram, estão a gostar ou apostam que vão gostar do livro.

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E, depois, há "notícias" como esta, que nos mandaram ontem, com a mensagem "até no comboio ele está presente". E lá está ele, O Independente - A Máquina de Triturar Políticos, a fazer companhia a uma passageira da linha de Sintra.

Neste caso, ficámos sem saber quem era a nossa leitora. Mas há muitos casos em que sabemos. Por exemplo, há dias, Eduardo Catroga foi visto a comprar o livro do Indy, tendo saído de uma livraria das Amoreiras com um ar muito satisfeito com a sua nova aquisição. Nós, que gostamos de pessoas felizes, ficámos contentes. E esperamos que o dr. Catroga também tenha ficado contente por se reencontrar com o seu passado. Este, por exemplo.

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O Deus da manta

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Primeiro, as más notícias: escusam procurar, porque O Independente - A Máquina de Triturar Políticos , apesar de reproduzir dezenas de primeiras páginas do jornal, não reproduz a famosa manchete sobre a manta da TAP que terá sido "adotada" por João de Deus Pinheiro. A razão é fácil de explicar  e ainda mais fácil de perceber: apesar de essa ser uma das mais míticas manchetes do Indy, nunca aconteceu.

Nada, népia, nicles. Nunca houve uma manchete sobre a manta de Deus Pinheiro. O que houve foi uma chamada num cantinho da primeira página de 26 de julho de 1991 - esta aqui ao lado (é verdade: a manchete era sobre os "intocáveis" do clã Espírito Santo, o que nos dá a medida do quanto o país, tendo mudado muito, mudou pouco nestas décadas).

Agora, as boas notícias: no livro contamos toda a história da manta e os seus bastidores. Desde a notícia original - curta, na última página, com um dos títulos mais geniais de sempre d'O Independente, "Deus Pinheiro, El mantador" - até ao pedido de desculpas e à indemnização paga ao então ministro dos Negócios Estrangeiros.

E, sim,  também escrevemos sobre as fontes dessa notícia. Mas para isso terão de ler o livro. Divirtam-se.

O economista Aníbal e os economistas

No dia em que o Presidente Cavaco recebe em Belém "os economistas", vale a pena recordar o que O Independente escrevia nos anos 80 e 90 - sobretudo pela mão de Paulo Portas e Vasco Pulido Valente - sobre a capacidade técnica do economista Aníbal, que na época chefiava o Governo. Eis um excerto do que podem ler no nosso livro sobre esse tema candente:

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O ano em que o semanário de Miguel Esteves Cardoso nasceu deu razões para questionar o mito da capacidade técnica de Cavaco. A meta de inflação – um dos dados mais relevantes num país que, pouco antes, a via galopar acima de dois dígitos – devia ficar, nesse ano, pelos 6%. Uma previsão lançada com espalhafato, e gorada com estrondo: no verão, já era certo que a evolução dos preços não ficaria abaixo de 9%. Para Portas, era a demonstração da qualidade dos «técnicos» que governavam. «Se há coisa que um governo de técnicos não pode fazer é enganar‑se nas contas».

«Todo o mundo sabe: as virtudes do governo são as do contabilista, não são as do filósofo. Se o povo está satisfeito, é porque come, não é porque sonha. […] A legitimidade deste governo, em suma, nada tem a ver com a alma. O seu negócio são os números. O que todo o cidadão previdente espera do poder é o que lhe foi anunciado de modo concreto, preciso e verificável. […] Quem promete números tem de os cumprir. [...]»
(...)

Se o fim da década de 80 levantou dúvidas sobre a capacidade económica de Cavaco, o início dos 90 consolidou‑as. O político que gostava de discursar por algarismos começava a revelar «uma relação esquisita com os números. Quando gosta deles, é exibicionista. Quando não gosta, é censor. Quando pode, é manipulador».

(...)
«Na sua inocência, o leigo acredita que os governantes sabem governar e, sobretudo, que os economistas sabem economia», notava Vasco Pulido Valente. «Ora, os economistas sabem economia como os médicos dos princípios do século xix sabiam medicina. […] O dr. Cavaco, economista, prometeu do pináculo das suas luzes teóricas “desenvolver a Pátria”. […] [Mas] não trazia no bolso uma receita experimentada e segura para uma desordem específica. Trazia apenas a sua fé e algumas tinetas. […] Como os médicos do século XIX, o dr. Cavaco contava exclusivamente (Deus me perdoe) com a sua “maneira de cama”, ou seja, com a sua arte de animar o doente. Se o doente por si próprio se curasse, o mérito era dele. Se não se curasse, a culpa era dos “velhos do Restelo”, das “carpideiras”, das “forças de bloqueio”, dos jornalistas e da “situação internacional”, numa palavra, do ar.»

do capítulo O Homo Cavacus

Quer chamar mais nomes a Cavaco? Aprenda com quem sabe (parte 2)

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 Ah, e tal, o Cavaco isto, o Cavaco aquilo. Qual é a surpresa? Cavaco está hoje, como sempre esteve, a ser Cavaco. Ao fim de tanto tempo, para o bem ou para o mal, não há quem não o conheça. Mas poucos lhe tiraram a fotografia tantas vezes como O Independente. Raramente para escrever qualquer coisa de bom. Por isso, se por estes dias anda com uma vontade incontrolável de chamar nomes a Cavaco, este post é para si. Aqui fica mais um parágrafo do capítulo de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos que é inteiramente dedicado ao "Homo Cavacus". Tal como o post anterior sobre o mesmo assunto, é uma colagem de coisas que o Indy escreveu sobre Cavaco - em boa parte dos casos, com a assinatura de Paulo Portas. E diz assim:

 

«O Altíssimo». Um «pequeno político com muita sorte», que «detesta a politica porque não a entende». «Um burocrata» que «detesta o conflito» e acumula poder «com uma avidez maníaca». «Um homem de esquerda », com «estilo justiceiro», «falta de escrúpulos» e cujo «discurso é o da moral mediana». A «negação da política». «Democrata porque tem de ser e autocrata quando o deixaram ser». Com «dias de imitação de ditador», «joga no unanimismo» e «interessa-lhe limitar a política ao seu próprio nome». No seu «despotismo pseudo-iluminado», «não se engana» e criou uma «democracia monocórdica», «maçadora e inútil». «Faltam-lhe as letras» e «nunca teve tempo para ser bom em português». Um «banal capitão eleitoral», que «não inventou nada e mudou pouco». «Uma criatura sem mistério de maior», que «parece saído de um livro de instrução primária». «Uma criatura pequena e calculista, que se agarra ao poder de qualquer maneira e cujo único objectivo consiste prosaicamente em sobreviver.» Uma «misteriosa cabecinha», uma «maquinal cabeça», uma «cabecinha orçamental». Com «uma vaidade ingénua e vertiginosa», «um monstro de hipocrisia» com «uma lata sem limites». «Dá náusea».

Do capítulo O Homo Cavacus

O dia em que Passos, Rio e Sócrates passaram no mesmo exame

Parece confuso, mas não é. Já se sabe que, nos idos de 90, O Independente em geral e Paulo Portas em particular não eram fãs da Europa unida. O tema era de interesse público, mas de pouco interesse do público. Bem, de todo o público também não. Os leitores do Indy eram bem instruídos pelas crónicas do diretor sobre os avanços e recuos que se davam lá mais para o centro da Europa e nas páginas do jornal colecionavam argumentos contra esse aprofundamento europeu.

Ano de 1992, O Independente decidiu medir o pulso a trinta deputados sobre o Tratado de Maastricht. Na semana em que a Assembleia da República aprovou o "tramado de Maastricht", o Indy fez um teste aos conhecimentos dos parlamentares. Os deputados submetidos ao questionário foram escolhidos a dedo. A variedade era apregoada: o teste era para deputados "urbanos e rurais", "presumidos e humildes". Era uma espécie de exame oral com direito a consulta.

O resultado "foi deprimente". Safaram-se os jovens deputados José Sócrates, Pedro Passos Coelho e Rui Rio. Houve um que acertou "por acaso", depois de andar a mostrar a fotos do casamento a outros deputados e demonstrava ser "um homem de sorte"; outro era "óasis no deserto parlamentar" e acertou porque "sabia o essencial" e o terceiro foi "conciso, completo e claro" e foi "o único com uma resposta que brilharia na prova". Quem é quem? Descubra nas página do livro.

Mas como não somos maldosos, aqui deixamos a primeira página, que deu muito que falar. "Chumbados". O título era garrafal, mas era o que menos interessava. Afinal, foi o dia em que o Indy pôs na capa burros onde devia haver deputados.

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À 2ª é ainda melhor

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Este é o nosso mais novo. É quase igual ao anterior, mas melhor ainda.

Porque é a segunda edição e só isso já nos enche de orgulho. E porque aproveitámos para dar cabo de meia dúzia de gralhas que nos arreliaram. E ainda porque aproveitámos para reproduzir na contracapa e na badana algumas das coisas simpáticas que foram publicadas nestes dias sobre o nosso livro.

As lojas onde O Independente - A Máquina de Triturar Políticos estava esgotado - e são muitas, conforme nos tem dito a Matéria-Prima Edições e nos vão informando muitos leitores através da nossa página de Facebook  - começam esta sexta-feira a receber estes, acabadinhos de sair da gráfica. As lojas onde o livro chegou ao top de vendas também.

Boas leituras.

O "parolo" que manda nisto tudo

A Sábado fez na semana passada quatro páginas de pré-publicação de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. A escolha recaiu sobre os capítulos dedicados a Cavaco, à sua Maria e aos cavaquistas.

Calha mesmo bem, porque é Cavaco - o homem a quem o Indy dedicou todo o tipo de adjetivos, e quase todos desagradáveis - quem tem agora a decisão política que vai determinar o futuro da política portuguesa. Vale a pena ler o best of feito pela Sábado (clique na imagem para ver maior). E ler mais no livro.

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O PBX nos loucos anos 80 e 90

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Foi uma bela conversa com a Inês Meneses e o Pedro Mexia, na estreia do PBX (o nome é lindo!), o novo podcast que resulta de uma parceria do Expresso com a rádio Radar. O programa promete e um feliz acaso de calendário permitiu a O Independente - A Máquina de Triturar Políticos a honra de ajudar a cortar a fita. Stay tuned!

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