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O Independente A máquina de triturar políticos

Da série Grandes Títulos do Indy (4)

A moção do ridículo.jpg

Não, leitor incauto, este não se trata de um título sobre a moção de rejeição que o PSD e o CDS apresentaram contra o programa do Governo, apesar de saberem que a rejeição seria rejeitada.

É o título de uma notícia de novembro de 1993, sobre umas trapalhadas no grupo parlamentar do PSD (what else?).

 

Um Inferno muito Independente

Fomos ao Inferno e temos o video para mostrar. Uma conversa sobre bimbos, João de Deus Pinheiro, manchetes que continuariam a fazer sentido ainda hoje e o fracasso estrondoso d'O Independente, que queria dar cabo de Cavaco... sendo evidente que Cavaco ainda mexe e O Independente já não (a não ser na versão A Máquina de Triturar Políticos).

Não há duas sem três

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Aí está a terceira edição. Obrigado a todos os que têm contribuído para fazer de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos um sucesso de vendas e de crítica.

Têm-nos perguntado se o bom desempenho do livro é a prova de que há muita gente com saudades d'O Independente. Sem querermos presumir as motivações alheias, parece-nos que não arriscaremos muito se dissermos que o sucesso do livro é, em boa medida, credor do sucesso do Indy. E acaba por ser uma homenagem a quem o fez, sobretudo nos tempos áureos sobre os quais o livro se dedica, quando coabitavam os nossos três protagonistas: Miguel Esteves Cardoso, Paulo Portas e Cavaco Silva. Há uma nostalgia d’O Independente e do que o jornal significou: a irreverência, o arrojo, o desafio, a capacidade de sacar grandes notícias e embrulhá-las bem, a qualidade dos textos, o impacto das primeiras páginas, os trocadilhos das manchetes, autênticos soundbites antes de sabermos o que era um soundbite.

O Indy era um jornal bem-humorado e mal comportado, como nunca voltou a haver outro. E com uma liberdade enorme, que usava sem pedir licença e, mesmo quando ia longe demais, sem pedir perdão. Talvez a nostalgia d’O Independente também seja a nostalgia dessa liberdade, sem medo de arriscar e de se espalhar ao comprido, e desses tempos em que tudo parecia possível. E, n’O Independente, tudo era mesmo possível.

Quer chamar mais nomes a Cavaco? Aprenda com quem sabe (parte 2)

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 Ah, e tal, o Cavaco isto, o Cavaco aquilo. Qual é a surpresa? Cavaco está hoje, como sempre esteve, a ser Cavaco. Ao fim de tanto tempo, para o bem ou para o mal, não há quem não o conheça. Mas poucos lhe tiraram a fotografia tantas vezes como O Independente. Raramente para escrever qualquer coisa de bom. Por isso, se por estes dias anda com uma vontade incontrolável de chamar nomes a Cavaco, este post é para si. Aqui fica mais um parágrafo do capítulo de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos que é inteiramente dedicado ao "Homo Cavacus". Tal como o post anterior sobre o mesmo assunto, é uma colagem de coisas que o Indy escreveu sobre Cavaco - em boa parte dos casos, com a assinatura de Paulo Portas. E diz assim:

 

«O Altíssimo». Um «pequeno político com muita sorte», que «detesta a politica porque não a entende». «Um burocrata» que «detesta o conflito» e acumula poder «com uma avidez maníaca». «Um homem de esquerda », com «estilo justiceiro», «falta de escrúpulos» e cujo «discurso é o da moral mediana». A «negação da política». «Democrata porque tem de ser e autocrata quando o deixaram ser». Com «dias de imitação de ditador», «joga no unanimismo» e «interessa-lhe limitar a política ao seu próprio nome». No seu «despotismo pseudo-iluminado», «não se engana» e criou uma «democracia monocórdica», «maçadora e inútil». «Faltam-lhe as letras» e «nunca teve tempo para ser bom em português». Um «banal capitão eleitoral», que «não inventou nada e mudou pouco». «Uma criatura sem mistério de maior», que «parece saído de um livro de instrução primária». «Uma criatura pequena e calculista, que se agarra ao poder de qualquer maneira e cujo único objectivo consiste prosaicamente em sobreviver.» Uma «misteriosa cabecinha», uma «maquinal cabeça», uma «cabecinha orçamental». Com «uma vaidade ingénua e vertiginosa», «um monstro de hipocrisia» com «uma lata sem limites». «Dá náusea».

Do capítulo O Homo Cavacus

"Tudo aquilo era bom, mas tinha de acabar depressa" - As 5 estrelas do Expresso

Uma das "novidades" da segunda edição de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos é a inclusão, na contracapa e na badana, de citações de algumas críticas que foram entretanto publicadas sobre o nosso livro. Lá está parte do que o Miguel Esteves Cardoso escreveu no Público, e do que o David Dinis publicou no Observador.

E também citações de uma crítica que o Ricardo Costa escreveu para a Revista E, e que ainda não tínhamos partilhado aqui no blog. Numa recensão em que atribui 5 estrelas ao livro, o diretor do Expresso (for the record: o jornal onde o Filipe trabalha) escreveu que:

"Este livro é um dos melhores trabalhos que conheço sobre o jornalismo português. E também sobre a política de uma época. As duas realidades andam lado a lado em 340 páginas, tão rigorosas quanto empolgantes.

Mesmo as opções menos óbvias dos autores ficam imediatamente justificadas nos primeiros minutos de leitura. Além da opção temporal, acertando em cheio e com estrondo no cavaquismo, Filipe Santos Costa e Liliana Valente decidiram centrar quase todo o escrutínio na ação política, parecendo desvalorizar o papel que O Independente teve na cultura portuguesa. Mas a opção é plenamente justificada. Sem qualquer desprimor para o vanguardismo cultural e estético do jornal, havia ali um projeto político que se foi materializando ao longo dos anos e que este trabalho apanha em cheio. (...)

É fácil falar de O Independente com admiração incondicional ou apostando tudo nas suas fragilidades. Este livro está tão bem feito que faz as duas coisas em simultâneo, sem nunca descambar para um dos lados. Mostra como tudo aquilo era bom, mas tinha que acabar depressa."

Pode ler aqui a recensão do Ricardo Costa na íntegra (clique nas imagens para aumentar) 

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O "parolo" que manda nisto tudo

A Sábado fez na semana passada quatro páginas de pré-publicação de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos. A escolha recaiu sobre os capítulos dedicados a Cavaco, à sua Maria e aos cavaquistas.

Calha mesmo bem, porque é Cavaco - o homem a quem o Indy dedicou todo o tipo de adjetivos, e quase todos desagradáveis - quem tem agora a decisão política que vai determinar o futuro da política portuguesa. Vale a pena ler o best of feito pela Sábado (clique na imagem para ver maior). E ler mais no livro.

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O MEC já leu. E gostou. E escreveu sobre isso. E nós estamos a liquefazer-nos em baba

"Gostei muito de ler o livro de Filipe Santos Costa e Liliana Valente sobre O Independente, publicado pela Matéria-Prima" - bastavam estas palavrinhas do Miguel Esteves Cardoso, no Público deste domingo, e teríamos o dia ganho. Mas houve mais, bastantes mais. E ainda mais simpáticas.

MEC Público.jpg

Como estas:

"O livro deu muito trabalho, mas valeu (e excedeu) a pena, porque conta, com verdade, uma história, baseada num conjunto de histórias, que nunca foi contada e que tive, assim, o prazer de ler pela primeira vez."

Ou estas:

"[A história] foi muito bem investigada e está muito bem escrita."

Ou ainda:

"Aprendi imenso. Queria apanhar erros mas acabei por saber muita coisa que não sabia; até sobre mim."

Aqui fica o texto todo. O texto do MEC sobre o nosso livro sobre o jornal do MEC. O texto em que o MEC escreve que "A Máquina de Triturar Políticos é uma magnífica reportagem". E nós vamos ali liquefazer-nos em baba.

No Expresso: Cadilhar, entaveirar e dar estalos a Cavaco

Têm sido tantas, e tão elogiosas, as referências na comunicação social a O Independente - A Máquina de Triturar Políticos, que não temos conseguido acompanhar o passo ao que tem sido dito e publicado sobre o nosso livro. Agora que passou o stress do lançamento, e conforme a nossa agenda profissional nos dê vagar (o pós-eleições e o governo de esquerda não têm dado muito descanso aos jornalistas de política, que é o que nós somos), vamos tentar pôr o trabalho em dia. Também não vos queremos maçar com um exercício onanista, por isso tentaremos intercalar essa parte de revista de imprensa com a publicação de mais tesourinhos nada deprimentes das velhas páginas do Indy.

MEC e PP.jpg

 Para início de conversa, aqui fica o texto que o Ricardo Costa publicou na quinta-feira, no Expresso Diário, exatamente à hora a que víamos a FNAC Chiado a abarrotar para a apresentação do livro.

Entre outras coisas, o diretor do Expresso (declaração de interesses - é o jornal onde o Filipe trabalha) escreve isto:

"Ao passar em revista aqueles anos de enorme agitação, o livro não se limita a relatar a vida no jornal e dos políticos que eram alvos das suas manchetes e investigações ou simples loucuras ou ódios. O livro faz um extraordinário relato do que foram esses anos políticos, apesar da lente d'O Independente ser tão boa e potente quanto distorcida."

O Ricardo, como nós, ficou encantado ao redescobrir o verbo cadilhar, que Miguel Esteves Cardoso inventou no auge dos escândalos de Miguel Cadilhe. E citou este bocadinho de uma crónica do MEC que é transcrita no livro:

“Cadilhar é obter uma coisa através de um esquema absolutamente legal. Legal, no sentido brasileiro, claro. É um jogo de palavra .(...) Enfim, é uma troca com garantia de baldroca, uma permuta. É um trocadilhe”. Depois do verbo vem o substantivo: “A estes negócios um bocadilhe dúbios e um bocadilhe aldrabados, que fazem o dia-a-dia dos portugueses, se dá o nome de cadilhes”.

Outro verbo de que já todos nos tínhamos esquecido - incluindo o Ricardo - é o verbo "entaveirar", também cunhado pelo MEC. E lembra, igualmente, o dia em que Portas escreveu que Cavaco "merecia um estalo".

O Ricardo conclui assim o seu texto:

"A genialidade de MEC e PP era evidente e o livro mostra isso página a página. Mas mostra também o seu snobismo absoluto e o mundo fechado onde viviam. Não há qualquer dúvida que foram a dupla mais criativa, divertida e louca do jornalismo português. E essa loucura tanto provocava coisas boas e ímpares como más e igualmente ímpares. E inevitavelmente rápidas. O livro mostra isso página a página. Com mais ou menos projeto político, aquela loucura era efémera. Não por ter pés de barro, mas por andar demasiado depressa. Tanto cadilharam, entaveiraram e deram estalos, que foram às suas vidas, deixando o jornal condenado a um plano inclinado irreversível."

Mas o melhor mesmo é ler o texto todo.

 

Sem pedir licença e quase sempre sem pedir desculpa

Este é um livro sobre um jornal. Um jornal que marcou uma geração, agitou o país e, mesmo a preto e branco, coloriu o jornalismo cinzento que se fazia por cá. Um jornal que desarrumou certezas, desempoeirou formatos, libertou palavras, espicaçou ideias, provocou debates. Um jornal que desassossegou a política, fez tiro ao alvo a ministros e partiu os dentes ao poder. (...) Um jornal que foi como ser criança outra vez: a perguntar os porquês, a mexer onde não devia, a usar a liberdade toda que tinha, a espantar-se, a descobrir, a ir mais longe, a ser inconveniente, a baralhar palavras e a trocar significados, a escolher lados, a entusiasmar-se sempre que havia razão para isso, a entusiasmar-se mesmo sem razão para isso, a fazer barulho no meio do sossego, a ser cruel, até a ser irresponsável. Com uma energia inesgotável e um voluntarismo que não acabava, mas sem inocência. Sem pedir licença e quase sempre sem pedir desculpa.

 

da Introdução

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