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O Independente A máquina de triturar políticos

"Tudo aquilo era bom, mas tinha de acabar depressa" - As 5 estrelas do Expresso

Uma das "novidades" da segunda edição de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos é a inclusão, na contracapa e na badana, de citações de algumas críticas que foram entretanto publicadas sobre o nosso livro. Lá está parte do que o Miguel Esteves Cardoso escreveu no Público, e do que o David Dinis publicou no Observador.

E também citações de uma crítica que o Ricardo Costa escreveu para a Revista E, e que ainda não tínhamos partilhado aqui no blog. Numa recensão em que atribui 5 estrelas ao livro, o diretor do Expresso (for the record: o jornal onde o Filipe trabalha) escreveu que:

"Este livro é um dos melhores trabalhos que conheço sobre o jornalismo português. E também sobre a política de uma época. As duas realidades andam lado a lado em 340 páginas, tão rigorosas quanto empolgantes.

Mesmo as opções menos óbvias dos autores ficam imediatamente justificadas nos primeiros minutos de leitura. Além da opção temporal, acertando em cheio e com estrondo no cavaquismo, Filipe Santos Costa e Liliana Valente decidiram centrar quase todo o escrutínio na ação política, parecendo desvalorizar o papel que O Independente teve na cultura portuguesa. Mas a opção é plenamente justificada. Sem qualquer desprimor para o vanguardismo cultural e estético do jornal, havia ali um projeto político que se foi materializando ao longo dos anos e que este trabalho apanha em cheio. (...)

É fácil falar de O Independente com admiração incondicional ou apostando tudo nas suas fragilidades. Este livro está tão bem feito que faz as duas coisas em simultâneo, sem nunca descambar para um dos lados. Mostra como tudo aquilo era bom, mas tinha que acabar depressa."

Pode ler aqui a recensão do Ricardo Costa na íntegra (clique nas imagens para aumentar) 

Expresso_Ricardo Costa1.jpg

Expresso_Ricardo Costa2.jpg

 

No Expresso: Cadilhar, entaveirar e dar estalos a Cavaco

Têm sido tantas, e tão elogiosas, as referências na comunicação social a O Independente - A Máquina de Triturar Políticos, que não temos conseguido acompanhar o passo ao que tem sido dito e publicado sobre o nosso livro. Agora que passou o stress do lançamento, e conforme a nossa agenda profissional nos dê vagar (o pós-eleições e o governo de esquerda não têm dado muito descanso aos jornalistas de política, que é o que nós somos), vamos tentar pôr o trabalho em dia. Também não vos queremos maçar com um exercício onanista, por isso tentaremos intercalar essa parte de revista de imprensa com a publicação de mais tesourinhos nada deprimentes das velhas páginas do Indy.

MEC e PP.jpg

 Para início de conversa, aqui fica o texto que o Ricardo Costa publicou na quinta-feira, no Expresso Diário, exatamente à hora a que víamos a FNAC Chiado a abarrotar para a apresentação do livro.

Entre outras coisas, o diretor do Expresso (declaração de interesses - é o jornal onde o Filipe trabalha) escreve isto:

"Ao passar em revista aqueles anos de enorme agitação, o livro não se limita a relatar a vida no jornal e dos políticos que eram alvos das suas manchetes e investigações ou simples loucuras ou ódios. O livro faz um extraordinário relato do que foram esses anos políticos, apesar da lente d'O Independente ser tão boa e potente quanto distorcida."

O Ricardo, como nós, ficou encantado ao redescobrir o verbo cadilhar, que Miguel Esteves Cardoso inventou no auge dos escândalos de Miguel Cadilhe. E citou este bocadinho de uma crónica do MEC que é transcrita no livro:

“Cadilhar é obter uma coisa através de um esquema absolutamente legal. Legal, no sentido brasileiro, claro. É um jogo de palavra .(...) Enfim, é uma troca com garantia de baldroca, uma permuta. É um trocadilhe”. Depois do verbo vem o substantivo: “A estes negócios um bocadilhe dúbios e um bocadilhe aldrabados, que fazem o dia-a-dia dos portugueses, se dá o nome de cadilhes”.

Outro verbo de que já todos nos tínhamos esquecido - incluindo o Ricardo - é o verbo "entaveirar", também cunhado pelo MEC. E lembra, igualmente, o dia em que Portas escreveu que Cavaco "merecia um estalo".

O Ricardo conclui assim o seu texto:

"A genialidade de MEC e PP era evidente e o livro mostra isso página a página. Mas mostra também o seu snobismo absoluto e o mundo fechado onde viviam. Não há qualquer dúvida que foram a dupla mais criativa, divertida e louca do jornalismo português. E essa loucura tanto provocava coisas boas e ímpares como más e igualmente ímpares. E inevitavelmente rápidas. O livro mostra isso página a página. Com mais ou menos projeto político, aquela loucura era efémera. Não por ter pés de barro, mas por andar demasiado depressa. Tanto cadilharam, entaveiraram e deram estalos, que foram às suas vidas, deixando o jornal condenado a um plano inclinado irreversível."

Mas o melhor mesmo é ler o texto todo.

 

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