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O Independente A máquina de triturar políticos

O economista Aníbal e os economistas

No dia em que o Presidente Cavaco recebe em Belém "os economistas", vale a pena recordar o que O Independente escrevia nos anos 80 e 90 - sobretudo pela mão de Paulo Portas e Vasco Pulido Valente - sobre a capacidade técnica do economista Aníbal, que na época chefiava o Governo. Eis um excerto do que podem ler no nosso livro sobre esse tema candente:

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O ano em que o semanário de Miguel Esteves Cardoso nasceu deu razões para questionar o mito da capacidade técnica de Cavaco. A meta de inflação – um dos dados mais relevantes num país que, pouco antes, a via galopar acima de dois dígitos – devia ficar, nesse ano, pelos 6%. Uma previsão lançada com espalhafato, e gorada com estrondo: no verão, já era certo que a evolução dos preços não ficaria abaixo de 9%. Para Portas, era a demonstração da qualidade dos «técnicos» que governavam. «Se há coisa que um governo de técnicos não pode fazer é enganar‑se nas contas».

«Todo o mundo sabe: as virtudes do governo são as do contabilista, não são as do filósofo. Se o povo está satisfeito, é porque come, não é porque sonha. […] A legitimidade deste governo, em suma, nada tem a ver com a alma. O seu negócio são os números. O que todo o cidadão previdente espera do poder é o que lhe foi anunciado de modo concreto, preciso e verificável. […] Quem promete números tem de os cumprir. [...]»
(...)

Se o fim da década de 80 levantou dúvidas sobre a capacidade económica de Cavaco, o início dos 90 consolidou‑as. O político que gostava de discursar por algarismos começava a revelar «uma relação esquisita com os números. Quando gosta deles, é exibicionista. Quando não gosta, é censor. Quando pode, é manipulador».

(...)
«Na sua inocência, o leigo acredita que os governantes sabem governar e, sobretudo, que os economistas sabem economia», notava Vasco Pulido Valente. «Ora, os economistas sabem economia como os médicos dos princípios do século xix sabiam medicina. […] O dr. Cavaco, economista, prometeu do pináculo das suas luzes teóricas “desenvolver a Pátria”. […] [Mas] não trazia no bolso uma receita experimentada e segura para uma desordem específica. Trazia apenas a sua fé e algumas tinetas. […] Como os médicos do século XIX, o dr. Cavaco contava exclusivamente (Deus me perdoe) com a sua “maneira de cama”, ou seja, com a sua arte de animar o doente. Se o doente por si próprio se curasse, o mérito era dele. Se não se curasse, a culpa era dos “velhos do Restelo”, das “carpideiras”, das “forças de bloqueio”, dos jornalistas e da “situação internacional”, numa palavra, do ar.»

do capítulo O Homo Cavacus

Quer chamar mais nomes a Cavaco? Aprenda com quem sabe (parte 2)

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 Ah, e tal, o Cavaco isto, o Cavaco aquilo. Qual é a surpresa? Cavaco está hoje, como sempre esteve, a ser Cavaco. Ao fim de tanto tempo, para o bem ou para o mal, não há quem não o conheça. Mas poucos lhe tiraram a fotografia tantas vezes como O Independente. Raramente para escrever qualquer coisa de bom. Por isso, se por estes dias anda com uma vontade incontrolável de chamar nomes a Cavaco, este post é para si. Aqui fica mais um parágrafo do capítulo de O Independente - A Máquina de Triturar Políticos que é inteiramente dedicado ao "Homo Cavacus". Tal como o post anterior sobre o mesmo assunto, é uma colagem de coisas que o Indy escreveu sobre Cavaco - em boa parte dos casos, com a assinatura de Paulo Portas. E diz assim:

 

«O Altíssimo». Um «pequeno político com muita sorte», que «detesta a politica porque não a entende». «Um burocrata» que «detesta o conflito» e acumula poder «com uma avidez maníaca». «Um homem de esquerda », com «estilo justiceiro», «falta de escrúpulos» e cujo «discurso é o da moral mediana». A «negação da política». «Democrata porque tem de ser e autocrata quando o deixaram ser». Com «dias de imitação de ditador», «joga no unanimismo» e «interessa-lhe limitar a política ao seu próprio nome». No seu «despotismo pseudo-iluminado», «não se engana» e criou uma «democracia monocórdica», «maçadora e inútil». «Faltam-lhe as letras» e «nunca teve tempo para ser bom em português». Um «banal capitão eleitoral», que «não inventou nada e mudou pouco». «Uma criatura sem mistério de maior», que «parece saído de um livro de instrução primária». «Uma criatura pequena e calculista, que se agarra ao poder de qualquer maneira e cujo único objectivo consiste prosaicamente em sobreviver.» Uma «misteriosa cabecinha», uma «maquinal cabeça», uma «cabecinha orçamental». Com «uma vaidade ingénua e vertiginosa», «um monstro de hipocrisia» com «uma lata sem limites». «Dá náusea».

Do capítulo O Homo Cavacus

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